Informações Ecológicas

Embora cresça espontaneamente nas matas do Sudeste do Brasil, prefere regiões de clima quente e solos bem drenados, não tolerando terrenos encharcados. A guariroba é planta característica das encostas e matas mais secas localizads em terrenos bem drenados, florestas em que as folhas das árvores caem gradativamente, podendo ser encontrada tanto na Caatinga como no Cerrado, sempre em grandes agrupamentos e associada a outras espécies vegetais. Porém, a guariroba - ou gueroba, como é mais conhecida - por seu porte elegante, de estipe fino e reto, é palmeira que se destaca, por excelência, na paisagem plana dos campos goianos.

Nos campos, a ocorrência da guariroba é indício seguro de terra fértil. Mais do que isso, dessa palmeira o homem e a criação aproveitam quase tudo. Suas folhas verdes são fartamente consumidas pela criação. Seus coquinhos, quando amadurecem e caem, são importante complemento na alimentação do gado. Deles, também, a população nativa retira as amêndoas, aproveitadas na produção de doces caseiros. Além disso, essa amêndoa, que contém mais de 60% de matérias graxas, extrai-se um abundante e excelente óleo comestível e de notada utilidade na indústria de sabões.

Porém, entre todos os produtos extraídos da guariroba, destaca-se o seu palmito ou broto terminal. Considerado por muitos como verdura de sabor amargo - o que de fato é quando comparado aos palmitos doces das espécies da Mata Atlântica - o palmito da guariroba é uma iguaria de largo aproveitamento culinário. Especialmente em algumas regiões de Minas Gerais e de Goiás.

Nas boas receitas de empadão goiano, por exemplo, acompanhamento perfeito para o colorido arroz com pequi, é fundamental a inclusão de bons nacos do palmito amargo da guariroba. Alimento substancial e de tempero bem forte, o recheio desse empadão, juntamente com a guariroba, deve conter pedaços de frango, de preferência coxas, linguiças, batatas e ovos cozidos inteiros ou apenas partidos ao meio, e tomates maduros.

Pio Corrêa informa que o amargo do palmito da guariroba desaparece facilmente, bastando para isso aferventá-lo com um pouco de bicarbonato de sódio. Mas quem já provou sabe como é fundamental no empadão goiano aquele leve sabor amargo da guariroba, sentido bem no mundo do refogado, misturado aos outros ingredientes e ao especial tempero local.

Bastante respeitada pela população da região, que não tinha o costume de derrubar as guarirobas apenas para aproveitar seu gostoso palmito amargo, nos últimos 30 anos, com a transformação das matas em terras para cultivo e pastagens, essas palmeiras foram se tornando mais escassas. Mesmo com a fiscalização do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que proíbe a extração do palmito nativo.

Para reverter a situação, e não ficar sem a deliciosa iguaria, alguns proprietários de terras começaram a cultivar a guariroba para o consumo familiar. Sendo planta de fácil cultivo e bom aproveitamento, tais plantações transformaram-se, rapidamente, em bons negócios. A principal e indispensável providência para quem quer cultivar a palmeira guariroba, tendo em vista o aproveitamento de seu palmito, é obter uma licença do IBAMA que, entre outras coisas, exige a preservação de 20% da mata natural da propriedade. 

Habitat

Bahia, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo, na floresta latifoliada semidecídua e nos cerradões.